A Chama do Dharma seguirá acesa

Darma é a luz do caminho espiritual. É a boa conduta, os ensinamentos, as práticas, o caminho de conexão. Darma é a ação de corpo, mente e emoção que vibra com a luz.

Gerações têm sido guardiões da chama do Darma, e a elas devemos ser profundamente gratos. Linhagens milenares de monges budistas preservam os ensinamentos de Buda. Correntes de sacerdotisas mantém a chama de Brigid queimando. Yogues resistem mantendo os ensinamentos de Shiva vivos.

A chama do Darma se mostra resistente ao tempo. Essa luz se retroalimenta, seu combustível é o próprio serviço a ela. O Darma sobreviveu a muitas guerras, invasões, dominações. O Darma sobreviveu a fome, secas e pragas. O Darma sobreviveu a pestes, doenças e epidemias. Só nos últimos 500 anos, o Darma sobreviveu à escravidão sistemática de povos do mundo, a guerras por dominação e independência, a duas guerras mundias, a bombas nucleares, ao extermínio de etnias e sexualidades;

Sabemos que a chama do Darma segue viva porque os ensinamentos chegaram até nós. Muitos podem distorcê-los, ignorá-los, usá-los como dominação, mas o fato é que a luz dos mestres e mestras, dos ancestrais luminosos segue brilhando em nós. Alguns seguem honrando os ensinamentos de Sidharta Gautama Buda. Outros, estão a serviço da verdadeira essência de Jesus de Nazaré. Outros se curvam diante dos ciclos da Deusa e do fogo de Brigid. Muitos são os caminhos do Darma, e eles seguem pulsantes.

Isso não quer dizer que é fácil manter essa chama. Nossos corações estão sendo atacados na tentativa de construir uma guerra. Sim, guerra. Andamos na rua olhando para as pessoas nos perguntando de que lado estão. Alguns têm medo daqueles que estão “do outro lado”, outros, raiva. A ilusão da separatividade emerge com muita força. É muito difícil não bloquear, afastar, excluir de perto “o outro lado”, muito, muito difícil. É tentador trilhar o caminho da guerra, da separação, da cisão. É preciso muita força. Sejamos essa resistência.

Sejamos, também, esperança. Quando fazemos o esforço consciente de não guerrear nos deparamos, porém, com a guerra exterior, com a ascensão do ódio. Sentimos tristeza, medo, vazio. O que será de nós? É nesse momento que nos lembramos que a chama seguirá viva. Não será um governo de ódio que apagará a luz. A luz resistiu a escravidão, inquisição, holocausto, peste, bomba atômica. Quando nos lembramos disso, damos risada por um dia pensar que o autoritarismo seria uma real ameaça.

Claro, talvez tenhamos sofrimentos concretos. Só porque escolhemos não pegar em armas não significa que não exista uma guerra, ou que nós e nossos irmãos não serão afetados, feridos, mortos. Sempre fomos, e seguiremos sendo. É importante, porém, ver isso no grande fluxo de vidas e mortes de nossa essência, nos grandes ciclos da Terra e, mais além, nos ciclos de vida e morte do grande Universo. Isso tudo é muito pequeno. É por isso que a chama da Luz se mantém viva, ela responde por algo que transcende infinitamente circunstâncias tridimensionais desafiadoras.

A chama do Darma seguirá acesa. Sempre seguiu e assim seguirá. Podemos optar por ser guardiões dessa chama, ou por sermos agentes da guerra que busca apagá-la. Eu já fiz minha escolha.